Chamo-me Larissa, sou geminiana.
Tu nunca serás uma sorte para ela. Sorte é poderes tê-la na tua vida. Sabes? Ela não é romântica por natureza, mas uma demonstração espontânea da tua parte vai fazê-la fraquejar. Porque ela é segura e doce ao mesmo tempo. Trago lágrimas, sorrisos , histórias, abraços… trago momentos felizes, momentos de decepção. Carrego pessoas, amores e desamores, amigos e inimigos, desafetos, paixões… Não sou um livro aberto, mas também não tão fechado que você não consiga abrir , basta ter jeito, saber tocar as páginas, uma a uma, e descobrirá de que papel é feito cada uma delas.
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“Eu não sou legal, não mesmo. Acho que sempre tenho razão e quando minhas previsões dão certo olho com a cara mais abominável do mundo, dou um sorriso irônico e falo o clássico eu-te-avisei. É que, em geral, eu tenho razão. Essa é a primeira –e mais importante – coisa que você precisa aprender a meu respeito. (…) Não sei receber elogios, fico sem saber o que fazer, me atrapalho e acabo trocando de assunto – quando não troco as pernas e tropeço em algum canto de mim. Sorrio para disfarçar desconfortos. Se eu não gosto de você é bem provável que você tenha medo do meu olhar. E eu posso simplesmente não gostar de você de graça. Se eu gostar de você aviso de antemão que você é uma pessoa de sorte. Eu me entrego. Quem vive comigo sabe. Quem convive comigo sente. Eu amo poucos. Mas esses poucos, pode apostar, amo muito.”
~ Clarissa Corrêa. 
“Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.”
~ Caio Fernando Abreu 

Foi o fim da minha noite, foi o fim das minhas estações. Não existia som ao nosso redor, eu olhei pra cima e o vi tentar uma aproximação. Ele iria me tocar pela última vez, eu poderia aproveitar aquele ultimo beijo de piedade, e então ele se aproximou. Pensei cinco vezes antes de tomar coragem e tentar beijá-lo, por um erro de proporções beijou-me no canto da boca. Perguntou-me então com a voz travada porque eu pertencia tanto a ele, a resposta me veio por inteiro.

Pensei em dizer que o meu cabelo anda caindo de tanta preocupação e por preguiça o deixei passar da cintura, que as minhas unhas não são mais afiadas como ele costumava gostar, cortei todas. Pensei em dizer também clichês comprados e baratos, aqueles que namorados apaixonados se declaram por sms, pensei até em fazer uma citação de um autor importante que transmitisse uma imagem sem dó do que sentíamos, pensei nos momentos nossos - todos eles. De como éramos dois em uma semana, na outra éramos metade, no outro mês éramos sobras. Pensei em dizer que meu celular estava quebrando, mexia tanto que a tela não era mais sensível ao toque, apaguei todas as músicas para caber as mensagens que ele mandava. Pensei somente em beijá-lo, em sentir tua boca na minha, sentir o teu gosto, o teu cheiro pela piedosa e ultima vez. Pensei em passar a mão despercebidamente por seu cabelo - gosto do jeito que o vento o joga pro lado. Pensei em cruzar os teus dedos nos meus, só em caso de desabar daquele degrau. Pensei em te puxar pelo braço e gritar na rua vazia, que eu quero tanto ser tua, que digo ao tio da padaria que tu és o homem dos meus livros. Pensei em contar-lhe como senti medo na nossa primeira vez, minhas pernas tremiam por te ter tão perto, tua mão percorria o meu corpo como mapa, nunca esquecerei aquele dia também. Pensei porque estaríamos em uma rua, terminando tudo - tudo. O nosso tudo desceu pelo ralo, a água do chuveiro agora fica presa, inunda o banheiro. Pensei que o meu mundo jamais seria o mesmo sem você, sem nós. Numa tentativa frustrada de mudar, cortei o cabelo, cortei o dedo num copo de vidro, cortei uns recortes novos e colei na porta do quarto, mas aqui em mim nada mudou ainda.

Por uma fração de segundos, só pensei. Não disse uma palavra.
Meus olhos me denunciaram, uma lágrima contou-lhe tudo.

~ Hélida Carvalho, 14 de julho. 

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“Só que aí eu acabei mudando. E foi mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e, quem roubou, eu jamais vou saber. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa também, graças a Deus. Foi por sorrir tanto de graça que eu paguei tão caro por todas as coisas que me aconteceram. Às vezes me pego olhando ao meu redor e vendo tanta menina parecida comigo. Tanto sentimento gritando de bocas caladas e escorrendo de peles secas. Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa pela gente, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que você queira muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer.”
~ Tati Bernardi